25/04/14

Pedagogia dos direitos ou pedagogia dos deveres?

A pedagogia dos direitos não traz nada de benéfico ao fortalecimento do caráter das crianças e jovens. Captar e interiorizar direitos é fácil. Não exige mais do que apetência e isso existe naturalmente em cada um. A pedagogia dos deveres e das responsabilidades, ao invés, fortalece o caráter, cria em nós uma disposição para agir bem, enraíza os bons hábitos e faz-nos fortes para ultrapassar os obstáculos, seguir em frente sem desistir dos projetos que nos permitem florescer como pessoas.

O Método Paulo Freire: talvez a maior vigarice pedagógica de sempre

Ouvi hoje na inenarrável TSF uma reportagem laudatória sobre as campanhas de alfabetização popular ocorridas durante o PREC. Os intelectuais orgânicos que dirigiram as campanhas usavam o célebre método Paulo Freire. Toda a minha vida adulta estudei a História da Pedagogia. Não conheço maior vigarice pedagógica do que o Método Paulo Freire de alfabetização. Não há uma única pessoa no Mundo que tenha aprendido a ler e a escrever usando o Método Paulo Freire. E no entanto há milhares de teses de doutoramento apologéticas do método e centenas de livros a enaltecerem o criador. A vigarice começou no Chile nos anos 50 e 60 do século passado. Nenhum chileno aprendeu a ler com o método. Depois, passou para o Brasil, também pelas mãos de Paulo Freire, nas décadas de 70 e 80. Nenhum brasileiro aprendeu a ler. De seguida, os marxistas exportaram o Método Paulo Freire para a Guiné-Bissau após independência. Paulo Freire andou por lá torrando dinheiro da UNESCO. Nenhum guineense aprendeu a ler ou a escrever. Querem maior vigarice intelectual do que esta?

Iliteracias, bancarrotas e agenda educativa socialista


A iliteracia política, ética, matemática e financeira existe em abundância no eleitorado português. A prova disso é a aposta repetida e constante do eleitorado em políticas despesistas, que contribuem para o desequilíbrio das contas públicas, o défice do Estado e a dívida pública insustentável. Será assim tão difícil perceber que o país só pode criar riqueza e crescer economicamente de forma consistente com contas públicas equilibradas? Para o nosso eleitorado, é difícil entender esta verdade elementar. Pergunto muitas vezes a que se deve esta cegueira financeira, esta atração pelo abismo financeiro? Concluo que a forma como as escolas (não) abordam a educação financeira é grandemente responsável pelo fenómeno. Acresce o efeito da iliteracia matemática e ética. Os portugueses têm uma relação difícil com a Matemática. Essa relação difícil cria um ciclo vicioso. Os alunos não gostam de matemática porque não abundam os bons professores de matemática e como estes não abundam os alunos aprendem pouco. O mesmo fenómeno acontece com a iliteracia ética e financeira. As políticas educativas e curriculares dos últimos quarenta anos carregaram o currículo de inutilidades pedagógicas, dispersando-o, enchendo os espaços educativos de inutilidades do tipo educação para a cidadania e educação cívica. Nada a opor à educação cívica se ela se centrar nos processos de melhoria do caráter e do conhecimento das virtudes intelectuais e éticas. Nada disso aconteceu. A educação para a cidadania que foi hegemónica nas nossas escolas, entre 1974 e 2011, encarou-a como um espaço de propaganda das questões do género, agenda socialista igualitária e mais recentemente difusão da agenda política GLBT. Nada disso contribui para a literacia ética e financeira. Ao invés, abre caminho às políticas despesistas, distributivas e igualitárias, criando nas consciências dos jovens a ideia de que o Estado deve intervir cada vez mais na vida das pessoas e no controlo da economia.

Ao contrário da agenda cívica socialista, o que as escolas precisam é de uma agenda centrada na aquisição das virtudes intelectuais e éticas: conhecimento, sabedoria, inteligência, prudência, coragem, temperança, respeito e responsabilidade. Não só essas virtudes foram arredadas das escolas como são diariamente espezinhadas e ridicularizadas.

Iliteracia e bancarrotas

Quarenta anos, três bancarrotas. Em Portugal, a democracia é incompatível com a responsabilidade financeira? Por que razão, os governantes portugueses, que governaram o país entre 1974 e 2011, não são capazes de assegurar o equilíbrio das contas públicas? Será a irresponsabilidade financeira um reflexo da iliteracia financeira e matemática de grande parte dos portugueses? Será que os governantes portugueses têm sido, regra geral, imprudentes e iliterados? A irresponsabilidade financeira, tanto das famílias como dos políticos e do eleitorado, é um reflexo da iliteracia ética, matemática e financeira reinante em boa parte das nossas escolas? Se assim for, não há remédio para o nosso país. Tenho receio de que assim seja.