22/10/14

Competências críticas do capital humano para os próximos anos. O que é que as empresas precisam que as escolas ensinem?

De que pessoas vão as empresas precisar nos próximos 5 anos?
Ninguém sabe ao certo. Provavelmente, o tipo de pessoas que hoje fazem falta às empresas: técnicos médios, capazes de executar tarefas complexas, com capacidade para ler e interpretar bem as orientações. Os diplomados pelos cursos de especialização tecnológica e, futuramente, pelos cursos técnicos superiores profissionais, vão encontrar, muito provavelmente, uma elevada procura por parte das empresas. As empresas vão necessitar de pessoas que saibam fornecer serviços e bens que façam falta à economia real, incluindo empresas, famílias e consumidores em geral. A posse de graus académicos continuará a ser valorizada mas, mais do que os graus académicos, as empresas vão precisar de pessoas que saibam fazer coisas que outras pessoas estejam interessadas em comprar, adquirir e usar. Os profissionais que saibam fazer coisas úteis, capazes de ir ao encontro de necessidades do mercado, continuarão a ser procurados pelas empresas. Os outros não vão, quer possuam graus académicos superiores ou não.
Quais as competências críticas necessárias para assegurar o sucesso dos negócios num horizonte de médio prazo?
Ninguém sabe ao certo, mas há competências que, muito provavelmente, continuarão a ser valorizadas pelas empresas: ler e interpretar bem vários tipos de texto; escrever bem, sem erros ortográficos, com uma boa sintaxe e pontuação e um léxico forte e abrangente; o domínio do inglês escrito e falado; provavelmente, o domínio do alemão e do chinês será uma mais-valia para as empresas exportadoras; um caráter forte, isto é, a posse de bons hábitos (pontualidade, discrição, honestidade, resiliência e rigor) e virtudes intelectuais e morais (prudência, temperança, coragem e justiça). A pergunta que se coloca é: e as escolas ensinam isso? Na maior parte dos casos não ensinam.
Existem colaboradores com estas competências no mercado?
Existem. Se a economia mantiver o crescimento anémico dos últimos 14 anos, talvez não sejam necessários muitas mais pessoas e, nesse caso, a taxa de desemprego jovem manter-se-á acima dos 30%. Se a economia começar a crescer acima dos 2%, são necessárias mais pessoas com a posse daquelas competências. Seja como for, num mercado aberto e global, onde a livre circulação de trabalhadores esteja facilitada, há sempre lugar para pessoas com a posse daquelas competências. Se não for em Portugal, será noutros países da EU, sobretudo o Reino Unido ou a Irlanda, que estão a crescer bem, ou fora da EU, onde quer que o crescimento da economia crie necessidades de mão-de-obra qualificada.
As competências críticas estão adequadamente consideradas no processo de planeamento estratégico das empresas?

Nuns casos estão, noutros não. São as pequenas e médias empresas que estão a aguentar o país e foram elas que fizeram os ajustamentos impostos pelos nossos credores e parceiros. Fizeram-no num ambiente fiscal e judicial adverso. Não houve Tribunal Constitucional que as impedisse de fazer o ajustamento. Nem sindicatos ou greves que o fizessem parar. E fizeram-no rápido, dando o exemplo ao Estado que não foi capaz de o fazer. Os empresários e os trabalhadores das pequenas e médias empresas privadas são os heróis do país. Foram eles que permitiram o equilíbrio da balança comercial e são eles que estão a fazer crescer a economia, ainda que timidamente, contribuindo para uma efetiva descida da taxa de desemprego. Não me parece que o setor público e os organismos do Estado incluam a identificação das competências críticas dos trabalhadores no planeamento estratégico. No setor que eu conheço – as escolas – não se faz isso por uma razão simples: as escolas estatais não podem escolher os seus professores. Nem sequer podem desembaraçar-se dos que têm um mau desempenho. E não podem associar a avaliação de desempenho à progressão na carreira ou a quaisquer incentivos de natureza salarial. Os maus e os bons profissionais são tratados por igual. Não vejo forma de mudar isto. Não com esta Constituição nem com este Tribunal Constitucional. Também não com estes partidos políticos. A única forma de reduzir a dimensão do problema é ir emagrecendo o setor público e os organismos do Estado. Ir libertando a sociedade e a economia do peso de um Estado e de uma máquina burocrática que asfixiam, por via fiscal e regulamentar, as empresas, os investidores e os negócios.

27/08/14

Por uma escola com caráter

Por uma escola com caráter. Um powerpoint com 62 slides sobre:
O que é o caráter? Como se fortifica o caráter?
Qual o papel dos hábitos?
Como combater os maus hábitos?
Como se adquirem as virtudes do caráter?